Documentação antiga de Jundiaí registra que os primeiros trabalhadores foram os índios domesticados, os mestiços e os próprios portugueses.

Durante muitos anos a historiografia sustentou que os nativos capturados pelas expedições de bandeirantes eram enviados diretamente para o Nordeste. Mas essa presença havia desaparecido completamente em 1700, quando a chegada de escravos africanos é intensificada.

Os documentos existentes das fazendas de Jundiaí, entretanto, mostram que havia pelo menos 40 e 50 índios vivendo em cada fazenda nos séculos XVI e XVII. Em torno de vinte por cento de toda a mão de obra usada nas fazendas da região era indígena em 1750, quase um século depois do alegado desaparecimento desses nativos da história oficial. Mais de sessenta anos depois da data da fundação de Jundiaí, em 1691, o historiador Affonso Taunay registrou a organização de uma expedição do bandeirante Jorge Correia para combater “os índios do sertão de Jundiaí”. A denominação é imprecisa. Na época, o sertão assim conhecido seguia até Goiás e inclusive avançava pelo território de Minas Gerais.

Com o incremento do uso do negro nas fazendas, algumas características culturais e sociais são alteradas. Os índios eram exímios criadores de cavalos e Jundiaí foi um centro de adestramento e venda de animais domesticados para os bandeirantes e, posteriormente, para a civilização que foi sendo criada no interior. Já os negros tinham melhor qualidade para trabalhos na lavoura. Com a mão de obra africana, Jundiaí passou a utilizar cada vez mais os negros para os trabalhos nas fazendas.

Quando chegaram as ferrovias, havia uma determinação oficial: era proibida a utilização dos negros para não esvaziar as fazendas de seus trabalhadores. As ferrovias formavam uma espécie de gueto para os trabalhadores brancos. Mas isso não durou muito tempo.

A chegada dos italianos introduziu na economia local profundas mudanças, que se desdobraram ao longo da história.