ECOS DE 1952

Quais seriam as grandes preocupações do jundiaiense em 1952. Um detalhado exame nos jornais e revistas publicadas naquele ano revela as expectativas dos habitantes. Comentava-se muito sobre as verbas que viriam do governo do Estado para a conclusão do Bolão e do Parque de Exposições. Mas dois problemas com aspectos cruciais toldavam as boas esperanças. Eles se concentravam no racionamento de energia elétrica e na falta dramática de telefones. Na Associação Comercial e Industrial de Jundiaí aconteciam seguidas reuniões para determinar os horários de racionamento de energia. Os horários eram das 8,00 às 10,00 horas da manhã e das 12,30 às 14,00 horas. Os industriais se queixavam da situação e que haveria desemprego. Em função de seu parque industrial, Jundiaí era grande consumidor de energia elétrica e diante de sua escassez em todo o Estado o governo resolveu fixar um corte de 20%, que seria escalonado por cada município. Ainda bem que naquela época não existiam edifícios altos. Hoje seria um deus nos acuda. Com relação aos telefones, as queixas eram contra a Companhia Telefônica Brasileira, considerada uma vilã principalmente pelos comerciantes. “Ela vem impedindo o progresso de Jundiaí”, era a queixa mais comum.
Havia também comentários sobre a expansão da cidade “em direção àquela lonjura do Anhangabaú”. A população também se queixava da falta de água principalmente nos bairros altos. “A escassez de água vai impedir a expansão da cidade.” Ao lado dos comentários negativos, havia comentários positivos sobre os meios de comunicações. “Jundiaí possui três jornais, uma revista mensal e uma emissora de rádio difusão, a querida Difusora.” Também a rede escolar merecia elogios. A Escola Anchieta já tinha até o curso ginasial. Mas não havia no município cursos superiores. Essa era uma das queixas dos estudantes, através de uma associação que fazia passeatas reclamando providências das autoridades. “Como manter o progresso do município sem educação superior?”
Muito comentário havia sobre as chaminés fumegantes de Jundiaí, símbolo de seu vertiginoso progresso. Hoje seria símbolo da poluição. Os jornais comentavam esses problemas e também as virtudes municipais. Houve até alguém que disse que Jundiaí deveria ser chamada de Cidade das Colinas, tal era a ocupação dos picos montanhosos da periferia. Mas outro movimento foi vitorioso. A Terra da Uva permaneceu até os nossos dias, mas parece que seus tempos estão murchando.
Os Ecos de 1952 chegaram até os nossos dias. Agora os problemas são outros. Ia me esquecendo. Jundiaí também era denominada de Cidade Dínamo, porque não parava de crescer.
(Geraldo Gomes Gattolini)