O BONDINHO DE JUNDIAí

Como era o bondinho de Jundiaí?
Sabemos que era puxado por quatro burrinhos, às vezes dois. Eram três bondinhos. No início faziam a linha entre a rua Cel. Leme da Fonseca e poucos metros depois de passar a portaria da Fábrica São Bento.
Cinco condutores ficaram famosos: Zelão, Tônico da Zabé, João Ratão, João Pelota e Antonio Pronto.
Assim que foi constituída, a Companhia de Bond’s de Jundiaí ganhou quatro inimigos. Eram eles o Mindu, Nhô Lau, Luiz Silvestre e o Deocleciano, todos eles condutores de charretes e mais tarde “guiadores” de carros de praça. Eles consideravam os bond’s algo inexpressivo, que vieram para tumultuar a pacata vida do jundiaiense. Na Câmara de Vereadores os debates foram intensos. Muitas vezes foram solicitadas providências contra a companhia.
Em 1893, ante tantos debates e críticas, um grupo de pessoas resolveu encampá-la, agora denominada Companhia Carris de Ferro Jundiana. No ano seguinte, a diretoria solicitou à São Paulo Railway Company permissão para levar seus bondinhos até à estação ferroviária.
Alceu Pontes (historiador e ex-prefeito) nos contou no início da década de 1970 que os bondinhos saíam da estação, entravam pela rua do mesmo nome, margeavam o rio Guapeva, subiam pela ponte curva, alcançavam a rua Adolpho Gordo ( Zacharias de Góes), subia o Beco da Sóta (rua Cel Leme da Fonseca). Aí era seu ponto final. No retorno descia pela rua do Rosário, virava o Beco do Pereirão (rua Siqueira de Moraes) descia a rua Barão de Jundiaí, contornava o Largo do Rosário (Praça Rui Barbosa), e descia para a estação.
No lugar onde era o ponto final, os burricos faziam buracos, jogavam lama nas casas. Enfureciam as donas de casas. uitas vezes, as bestas e os burros emburricavam, ficavam empacadas, exigindo do condutor muitos berros e habilidades agressivas.
A companhia possuía dois serviços. Transportava passageiros e também cargas. O carro de carga ficava sempre na rua do Rosário, em frente onde depois foi construído o edifício Elisa.
O maior inimigo da companhia eram os garotos que sempre estavam espantando os burricos ou então desbrecando os carros quando os condutores desatrelavam os burros para o devido descanso. Num desses acontecimentos que ficou para a história consta que os meninos Luiz Rivelli, João Aieta e Tuturo Copeli soltaram um carro que desceu veloz, entrou pela casa de um morador (Nepomuceno de Andrade) que estava lendo o jornal Correio Paulistano. Paredes desabaram, telhas caíram, as madeiras dos telhados foram arremessadas para fora da casa. Foi considerado o maior desastre que Jundiaí sofreu no século XIX.
A companhia, diante de tantas perseguições e acidentes provocados por terceiros, faliu em 1897. Seus bens foram arrematados e viraram sucata.